EFEMÉRIDES DO CALANGO

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30 julho, 2008

[almanaque] Pequim ou Beijing?

Estamos a poucos dias dos Jogos Olímpicos de Pequim. Pequim? Não é Beijing? Eu, assim como o Rodolfo Castrezana, do Omedi, fiquei em dúvida. Afinal, eu aprendi na escola que era Pequim. Só vi o termo Beijing há pouco mais de 10 anos.
Sempre tive essa curiosidade, mas nunca fui atrás até ler um post do Omedi pedindo esclarecimentos.
Pois bem, pesquisei e aí vai a resposta obtida no Sua Língua, do professor Carlos Moreno:

Para nós, os chineses da capital vivem em Pequim, mesmo que eles gritem todos juntos que vivem em Beijing. Nossos antepassados lusitanos entraram na China no séc. XVI; como herança deles, falamos uma língua que conhece o nome Pequim há quase 500 anos. Aliás, no início havia também algumas divergências quanto à sua pronúncia, mas sob outro enfoque: Fernão Mendes Pinto, o extraordinário escritor-viajante, fala, no capítulo CV da Peregrinação, desta "cidade que nós chamamos Paquim, a quem os seus naturais chamam Pequim". Portugal manteve intenso intercâmbio com a China, enviando embaixadores, missionários, aventureiros, comerciantes e militares (não necessariamente nessa ordem) ao império dos "chins", como diziam, acabando por estabelecer uma base em Macau, até recentemente sob domínio ocidental. Por tudo isso, nosso idioma se acostumou a nomes como Pequim, Cantão e Nanquim, além de suas derivações: falamos da cozinha cantonesa, da tinta nanquim, do cachorro pequinês (aquele pequeno cãozinho doméstico de focinho achatado). Assim vivemos felizes por meio milênio, e não vamos trocar tudo isso apenas por causa de uma lei chinesa.

O governo da China, pretendendo uniformizar as transliterações que o Ocidente faz de seus nomes, desenvolveu e divulgou o sistema PINYIN, que regula a transcrição fonética da língua chinesa para o alfabeto romano. É útil e necessária a honorável iniciativa das veneráveis autoridades chinesas; a adoção desse sistema trará, finalmente, a serenidade aos leitores que, como eu, se sobressaltam a cada nova grafia do célebre presidente Mao (Mao Tse-Tung, Mao Tsetung, agora Mao Zedong) ou do não menos famoso Chiang Kai-shek (Chang Kai-chek, Tchang Kai Chek, parece que agora Jiang Jieshi). Como disse um jornalista pouco respeitoso, "o sistema pinyin vai acabar finalmente com a sopa de letrinhas!".

Isso não significa, porém, que vamos abandonar os nomes já enraizados em nosso léxico. Para entender por que afirmo isso, basta comparar, no quadro abaixo, o nome tradicional com a nova versão pinyin:

Cantão - Guangzhou
Xangai - Shanghai
Pequim - Beijing
Nanquim - Nanjing
Hong-Kong - Xianggang


Nota que não houve aqui uma "troca de nome", como a do Sião para Tailândia, ou de São Petersburgo para Leningrado, e de Leningrado de novo para São Petersburgo - casos em que existe uma pressão natural que nos leva a adotar a nova denominação. Houve apenas uma troca de sistema de transcrição, o que termina sendo pouca coisa além de uma troca na grafia (já que a pronúncia é variável nas diferentes regiões da vasta China continental). É sabido que as leis ortográficas de um país não costumam ter repercussão nas outras línguas. Quando nós oficializamos a grafia Brasil, os países de língua inglesa continuaram a usar Brazil, a forma consagrada durante nosso regime imperial, enquanto a França, alheia a tudo, sempre usou alegremente o seu Brésil. Por isso, mesmo que um bilhão de chineses não concordem, devemos manter o Pequim do Português, da mesma forma que se mantiveram Pékin (Fr.), Pechino (It.), Pekín (Esp.) e Peking (Al.). Só os jornais de língua inglesa se apressaram em aderir à novidade; talvez, em nome da globalização, nossa imprensa pudesse adotar o hábito educativo de incluir, entre parênteses, o nome reformulado: Pequim (Beijing).

18 julho, 2008

[almanaque] Se as HQ's são a nona arte, quais são as outras?

  1. Desenho / Pintura
  2. Escultura
  3. Música
  4. Dança
  5. Literatura
  6. Teatro
  7. Cinema
  8. Fotografia
  9. Histórias em Quadrinhos
  10. Arte digital

Entendeu?

16 julho, 2008

[almanaque] Mussarela existe?

Não! Em português, escreve-se muçarela! Embora fique muito feio esse "ç" aí no meio, é a mais pura verdade e já derrubou gente em concurso no interior de São Paulo.

"Muçarela é com ç. Provavelmente por causa da origem da palavra, que é uma palavra italiana, com dois z, muita gente se engana e acaba escrevendo com dois s, mas é com ç", garante Douglas Tufano, professor e escritor.

De acordo com os lingüistas não há uma regra ortográfica para determinar a grafia de palavras incorporadas ao português. Nesses casos, um acordo proposto pelos imortais da Academia Brasileira de Letras é que define como a palavra será escrita.

Fonte: SPTV 1

11 julho, 2008

[almanaque] De que é feita a gelatina?

Para a surpresa de muita gente a gelatina é extraída da pele, das cartilagens e dos ossos bovinos.
Saiba que além de ser utilizada como alimento, é também muito utilizada na medicina e em certas indústrias. Um bom exemplo disso é a sua utilização como cobertura das cápsulas de produtos farmaceuticos. Ela ainda é ótima como emulsão fotográfica e na fabricação de cabeças de fósforos e lixas.
Alguns benefícios da gelatina:
  • Enrijece o corpo: contém nove dos dez aminoácidos essenciais ao corpo. Estes por sua vez favorecem a síntese do colágeno, que ajuda a sustentar os tecidos.
  • Fortalece as unhas e ajuda a combater a queda de cabelo: O consumo regular ajuda a aumentar a espessura das unhas e do cabelo, o que os torna mais fortes. Além disso, acelera o crescimento.
  • Diminui o apetite: A gelatina tem a capacidade de se ligar a uma grande quantidade de água. Por isso, dá a sensação de saciedade e diminui os riscos de exagerar à mesa.

Ctrl+C, Ctrl+V: Portal Curiosidade

Não acreditou? Veja esta matéria de TV, mostrando como se faz:


30 junho, 2008

[almanaque] Será japonês?

Atari

Acredite se puder. O nostálgico videogame, ícone dos anos 80, foi desenvolvido no país que mais concorre tecnologicamente com o Japão: Estados Unidos.

Pastel

Alguns estudiosos afirmam que a origem da iguaria é portuguesa. Outros juram que é chinesa. Os mais exaltados pretendem entregar a autoria aos brasileiros. A única certeza é que japonês não é, né?

Tempura

Dizem as más línguas - de bom paladar - que o famoso "típico prato japonês" na realidade é… português! Ele foi introduzido no Japão durante a expansão marítima. Perceba o parentesco de "tempura" com as palavras: "tempero", "temperar", "temporã" e "têmporas".
Para quem não sabe, é um prato à base de legumes fritos.

Yakissoba

Significa "sobá frito" – ou esse tipo de macarrão. Foi incorporado pelos japoneses na sua culinária, mas… É um prato de origem chinesa ideal para ser acompanhado por um típico saquê – este, sim, japonês.

Pucca

Nem todo desenho animado "cute" de olhos puxados é japonês. A menininha, bem-humorada e apaixonada pelo ninja Garu, é cria da empresa sul-coreana Vooz.

Shoyu

Embora tenha nome japonês, o tempero usado na culinária oriental é chinês de nascimento. Surgiu de uma pasta feita de grãos de soja fermentados entre os anos 1134 e 246 a.C., na dinastia Zhou.

Bonsai

A arte de cultivar árvores em miniatura surgiu na China. Mas, verdade seja dita, se popularizou no mundo devido aos japoneses por volta do século VIII. "Bon" significa bandeja ou bacia e "sai" cultivo.

Hashi

Os famosos pauzinhos que funcionam como talheres para boa parte dos orientais têm origem chinesa. Apesar disso, no Japão são utilizados em todos os tipos de refeição, mesmo nas formais.

Miojo

Momofuku Ando inventou o bom-bonito-e-barato macarrão instantâneo e fundou a Nissin Food Products, que produz o tal miojo. Ando trabalhou no Japão, mas é… Made in Taiwan! Ele nasceu, em 1910, no país quando este estava sob ocupação japonesa.

Fonte: Xis-Xis

25 junho, 2008

[almanaque] Porque festa junina chama-se "festa junina"?


Antes da era cristã, alguns povos antigos -- persas, egípcios, celtas, sírios, bascos, sardenhos, bretões e sumérios -- faziam rituais para invocar a fertilidade de suas plantações. Eles acendiam fogueiras para espantar os maus espíritos e desejavam obter uma boa safra. Isso acontecia em junho, época em que se inicia o verão no hemisfério norte. Esses festejos se perpetuaram. Mais tarde, passaram a ser seguidos não só pelos camponeses, mas também pelos homens da cidade na Europa.


No entanto, os rituais eram considerados pagãos pela Igreja Católica. Como não era possível dar fim a uma tradição tão antiga, a Igreja adaptou essa celebração a seu calendário de festividades no século 4. Estava iniciada a Festa Joanina, que recebeu este nome em homenagem a São João Batista, um dos santos mais importantes celebrados em junho -- os outros são Santo Antônio (no dia 13) e São Pedro (no dia 29).


Segundo a religião, quando São João Batista nasceu, no dia 24 de junho, sua mãe, Isabel, queria dar a notícia à prima Maria. Como naquela época não existia telefone, ela combinou que acenderia uma fogueira logo após o parto. Assim que Maria visse o sinal de fumaça, saberia do nascimento. Essa seria a explicação católica para a fogueira de São João.



No Brasil, essa tradição chegou com os portugueses no período colonial e recebeu o nome de Festa Junina. Naquela época, era de interesse da Igreja abençoar esse tipo de festa -- cheia de comida e dança -- para tentar converter infiéis, como os índios e os escravos africanos.


Antigamente, também, existiam práticas de adivinhações nas festas juninas. Acreditava-se que algumas pessoas tinham o poder de ler a sorte e prever o futuro. Por isso, muitas mulheres iam às festas para descobrir com quem casariam.



15 junho, 2008

[almanaque] Porque Santo Antônio é considerado casamenteiro?

Aproveitando as festas juninas, vou apresentar nos próximos dias algumas notas sobre o assunto. A começar por Santo Antônio.

Santo Antônio teve sua fama desenvolvida a partir de um milagre muito antigo, que o folclore português e italiano se encarregaram de espalhar pela Europa e pelo mundo de Deus. Vejam uma transcrição do livro Vida e milagres de Santo Antônio, do Pe. Fernando Tomás de Brito (*):

Vivia em Nápoles uma viúva que tinha uma filha de grande beleza, mas extremamente pobre, e não podia casá-la por falta de dinheiro para o dote. Eram pessoas de boa origem, mas não tinham como viver decentemente. A mãe, oprimida pela pobreza e desejosa de recuperar o prestígio social, determinou prostituir a filha e fez a esta a seguinte proposta infame:

– Menina, nada desonra tanto no mundo como a pobreza. De que nos servem nossos títulos de nobreza se nossa indigência nos sujeita ao desprezo da sociedade? Só a tua beleza nos pode livrar. Vai entregar-te aos rapazes ricos que te galanteiam, porque não há outro remédio.

A pobre moça, que era de bom caráter, ficou estupefata diante do que a mãe lhe dizia. Começou a invocar Santo Antônio com fé e confiança. Uma tarde, quando entrou no convento de São Lourenço, onde se venera uma imagem milagrosa do Santo, ajoelhou-se e, em lágrimas, suplicou:

– Meu bom Santo Antônio, eu de nenhum modo quero perder a pérola da virgindade com ofensa a Deus. É minha desalmada mãe que me arrasta para o caminho da perdição e da desonra. Socorrei-me! Coloco-me sob vossa proteção, ó puríssimo defensor da virtude da castidade.

Mal acabara de formular essa prece quando o Santo lhe estendeu o braço e lhe entregou um papel, dizendo:

– Vai à casa do Sr. X e entrega-lhe este bilhete.

Tratava-se de um rico negociante, muito conhecido na cidade. O bilhete continha estas palavras:

– Dareis à mulher que vos apresentar este papel, para o seu dote, o peso desse mesmo papel em moedas de prata. Saudações. Santo Antônio.

A jovem, cheia de esperança e reconhecimento, correu a entregar o bilhete de Santo Antônio ao rico negociante. Este se pôs a zombar dela, dizendo:

– Só o peso desta folhinha de papel?! Por certo vosso noivo se contenta com bem pouco. Vamos já satisfazê-lo.

E colocou o papel num dos pratos da balança, pondo no outro uma pequenina moeda de prata, certo de que já pesaria mais do que o papel. Como o outro prato nem se moveu, colocou uma segunda moeda, e mais outra, e mais outra. Para sua grande confusão, somente quando tinha colocado 400 escudos de prata a balança se equilibrou.

Foi nesse momento que o negociante se recordou de que havia outrora prometido a Santo Antônio dar-lhe 400 escudos de prata, e nunca havia cumprido a promessa. O Santo viera fazer a cobrança daquele modo maravilhoso.

A feliz jovem pôde então casar-se honestamente, de acordo com sua condição social.

Ctrl+C, Ctrl+V: Blog do Prof. Damasio
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