Para nós, os chineses da capital vivem em Pequim, mesmo que eles gritem todos juntos que vivem em Beijing. Nossos antepassados lusitanos entraram na China no séc. XVI; como herança deles, falamos uma língua que conhece o nome Pequim há quase 500 anos. Aliás, no início havia também algumas divergências quanto à sua pronúncia, mas sob outro enfoque: Fernão Mendes Pinto, o extraordinário escritor-viajante, fala, no capítulo CV da Peregrinação, desta "cidade que nós chamamos Paquim, a quem os seus naturais chamam Pequim". Portugal manteve intenso intercâmbio com a China, enviando embaixadores, missionários, aventureiros, comerciantes e militares (não necessariamente nessa ordem) ao império dos "chins", como diziam, acabando por estabelecer uma base em Macau, até recentemente sob domínio ocidental. Por tudo isso, nosso idioma se acostumou a nomes como Pequim, Cantão e Nanquim, além de suas derivações: falamos da cozinha cantonesa, da tinta nanquim, do cachorro pequinês (aquele pequeno cãozinho doméstico de focinho achatado). Assim vivemos felizes por meio milênio, e não vamos trocar tudo isso apenas por causa de uma lei chinesa.
O governo da China, pretendendo uniformizar as transliterações que o Ocidente faz de seus nomes, desenvolveu e divulgou o sistema PINYIN, que regula a transcrição fonética da língua chinesa para o alfabeto romano. É útil e necessária a honorável iniciativa das veneráveis autoridades chinesas; a adoção desse sistema trará, finalmente, a serenidade aos leitores que, como eu, se sobressaltam a cada nova grafia do célebre presidente Mao (Mao Tse-Tung, Mao Tsetung, agora Mao Zedong) ou do não menos famoso Chiang Kai-shek (Chang Kai-chek, Tchang Kai Chek, parece que agora Jiang Jieshi). Como disse um jornalista pouco respeitoso, "o sistema pinyin vai acabar finalmente com a sopa de letrinhas!".
Isso não significa, porém, que vamos abandonar os nomes já enraizados em nosso léxico. Para entender por que afirmo isso, basta comparar, no quadro abaixo, o nome tradicional com a nova versão pinyin:
Cantão - Guangzhou
Xangai - Shanghai
Pequim - Beijing
Nanquim - Nanjing
Hong-Kong - Xianggang
Nota que não houve aqui uma "troca de nome", como a do Sião para Tailândia, ou de São Petersburgo para Leningrado, e de Leningrado de novo para São Petersburgo - casos em que existe uma pressão natural que nos leva a adotar a nova denominação. Houve apenas uma troca de sistema de transcrição, o que termina sendo pouca coisa além de uma troca na grafia (já que a pronúncia é variável nas diferentes regiões da vasta China continental). É sabido que as leis ortográficas de um país não costumam ter repercussão nas outras línguas. Quando nós oficializamos a grafia Brasil, os países de língua inglesa continuaram a usar Brazil, a forma consagrada durante nosso regime imperial, enquanto a França, alheia a tudo, sempre usou alegremente o seu Brésil. Por isso, mesmo que um bilhão de chineses não concordem, devemos manter o Pequim do Português, da mesma forma que se mantiveram Pékin (Fr.), Pechino (It.), Pekín (Esp.) e Peking (Al.). Só os jornais de língua inglesa se apressaram em aderir à novidade; talvez, em nome da globalização, nossa imprensa pudesse adotar o hábito educativo de incluir, entre parênteses, o nome reformulado: Pequim (Beijing).
EFEMÉRIDES DO CALANGO
Já viu esse aqui?
30 julho, 2008
[almanaque] Pequim ou Beijing?
18 julho, 2008
[almanaque] Se as HQ's são a nona arte, quais são as outras?
- Desenho / Pintura
- Escultura
- Música
- Dança
- Literatura
- Teatro
- Cinema
- Fotografia
- Histórias em Quadrinhos
- Arte digital
Entendeu?
16 julho, 2008
[almanaque] Mussarela existe?
"Muçarela é com ç. Provavelmente por causa da origem da palavra, que é uma palavra italiana, com dois z, muita gente se engana e acaba escrevendo com dois s, mas é com ç", garante Douglas Tufano, professor e escritor.
De acordo com os lingüistas não há uma regra ortográfica para determinar a grafia de palavras incorporadas ao português. Nesses casos, um acordo proposto pelos imortais da Academia Brasileira de Letras é que define como a palavra será escrita.
Fonte: SPTV 1
11 julho, 2008
[almanaque] De que é feita a gelatina?
Saiba que além de ser utilizada como alimento, é também muito utilizada na medicina e em certas indústrias. Um bom exemplo disso é a sua utilização como cobertura das cápsulas de produtos farmaceuticos. Ela ainda é ótima como emulsão fotográfica e na fabricação de cabeças de fósforos e lixas.
- Enrijece o corpo: contém nove dos dez aminoácidos essenciais ao corpo. Estes por sua vez favorecem a síntese do colágeno, que ajuda a sustentar os tecidos.
- Fortalece as unhas e ajuda a combater a queda de cabelo: O consumo regular ajuda a aumentar a espessura das unhas e do cabelo, o que os torna mais fortes. Além disso, acelera o crescimento.
- Diminui o apetite: A gelatina tem a capacidade de se ligar a uma grande quantidade de água. Por isso, dá a sensação de saciedade e diminui os riscos de exagerar à mesa.
Ctrl+C, Ctrl+V: Portal Curiosidade
Não acreditou? Veja esta matéria de TV, mostrando como se faz:
30 junho, 2008
[almanaque] Será japonês?
| Atari | Acredite se puder. O nostálgico videogame, ícone dos anos 80, foi desenvolvido no país que mais concorre tecnologicamente com o Japão: Estados Unidos. |
| Pastel | Alguns estudiosos afirmam que a origem da iguaria é portuguesa. Outros juram que é chinesa. Os mais exaltados pretendem entregar a autoria aos brasileiros. A única certeza é que japonês não é, né? |
| Tempura | Dizem as más línguas - de bom paladar - que o famoso "típico prato japonês" na realidade é… português! Ele foi introduzido no Japão durante a expansão marítima. Perceba o parentesco de "tempura" com as palavras: "tempero", "temperar", "temporã" e "têmporas". Para quem não sabe, é um prato à base de legumes fritos. |
| Yakissoba | Significa "sobá frito" – ou esse tipo de macarrão. Foi incorporado pelos japoneses na sua culinária, mas… É um prato de origem chinesa ideal para ser acompanhado por um típico saquê – este, sim, japonês. |
| Pucca | Nem todo desenho animado "cute" de olhos puxados é japonês. A menininha, bem-humorada e apaixonada pelo ninja Garu, é cria da empresa sul-coreana Vooz. |
| Shoyu | Embora tenha nome japonês, o tempero usado na culinária oriental é chinês de nascimento. Surgiu de uma pasta feita de grãos de soja fermentados entre os anos 1134 e 246 a.C., na dinastia Zhou. |
| Bonsai | A arte de cultivar árvores em miniatura surgiu na China. Mas, verdade seja dita, se popularizou no mundo devido aos japoneses por volta do século VIII. "Bon" significa bandeja ou bacia e "sai" cultivo. |
| Hashi | Os famosos pauzinhos que funcionam como talheres para boa parte dos orientais têm origem chinesa. Apesar disso, no Japão são utilizados em todos os tipos de refeição, mesmo nas formais. |
| Miojo | Momofuku Ando inventou o bom-bonito-e-barato macarrão instantâneo e fundou a Nissin Food Products, que produz o tal miojo. Ando trabalhou no Japão, mas é… Made in Taiwan! Ele nasceu, em 1910, no país quando este estava sob ocupação japonesa. |
Fonte: Xis-Xis
25 junho, 2008
[almanaque] Porque festa junina chama-se "festa junina"?

15 junho, 2008
[almanaque] Porque Santo Antônio é considerado casamenteiro?
Aproveitando as festas juninas, vou apresentar nos próximos dias algumas notas sobre o assunto. A começar por Santo Antônio.
Santo Antônio teve sua fama desenvolvida a partir de um milagre muito antigo, que o folclore português e italiano se encarregaram de espalhar pela Europa e pelo mundo de Deus. Vejam uma transcrição do livro Vida e milagres de Santo Antônio, do Pe. Fernando Tomás de Brito (*):
Vivia em Nápoles uma viúva que tinha uma filha de grande beleza, mas extremamente pobre, e não podia casá-la por falta de dinheiro para o dote. Eram pessoas de boa origem, mas não tinham como viver decentemente. A mãe, oprimida pela pobreza e desejosa de recuperar o prestígio social, determinou prostituir a filha e fez a esta a seguinte proposta infame:
– Menina, nada desonra tanto no mundo como a pobreza. De que nos servem nossos títulos de nobreza se nossa indigência nos sujeita ao desprezo da sociedade? Só a tua beleza nos pode livrar. Vai entregar-te aos rapazes ricos que te galanteiam, porque não há outro remédio.
A pobre moça, que era de bom caráter, ficou estupefata diante do que a mãe lhe dizia. Começou a invocar Santo Antônio com fé e confiança. Uma tarde, quando entrou no convento de São Lourenço, onde se venera uma imagem milagrosa do Santo, ajoelhou-se e, em lágrimas, suplicou:
– Meu bom Santo Antônio, eu de nenhum modo quero perder a pérola da virgindade com ofensa a Deus. É minha desalmada mãe que me arrasta para o caminho da perdição e da desonra. Socorrei-me! Coloco-me sob vossa proteção, ó puríssimo defensor da virtude da castidade.
Mal acabara de formular essa prece quando o Santo lhe estendeu o braço e lhe entregou um papel, dizendo:
– Vai à casa do Sr. X e entrega-lhe este bilhete.
Tratava-se de um rico negociante, muito conhecido na cidade. O bilhete continha estas palavras:
– Dareis à mulher que vos apresentar este papel, para o seu dote, o peso desse mesmo papel em moedas de prata. Saudações. Santo Antônio.
A jovem, cheia de esperança e reconhecimento, correu a entregar o bilhete de Santo Antônio ao rico negociante. Este se pôs a zombar dela, dizendo:
– Só o peso desta folhinha de papel?! Por certo vosso noivo se contenta com bem pouco. Vamos já satisfazê-lo.
E colocou o papel num dos pratos da balança, pondo no outro uma pequenina moeda de prata, certo de que já pesaria mais do que o papel. Como o outro prato nem se moveu, colocou uma segunda moeda, e mais outra, e mais outra. Para sua grande confusão, somente quando tinha colocado 400 escudos de prata a balança se equilibrou.
Foi nesse momento que o negociante se recordou de que havia outrora prometido a Santo Antônio dar-lhe 400 escudos de prata, e nunca havia cumprido a promessa. O Santo viera fazer a cobrança daquele modo maravilhoso.
A feliz jovem pôde então casar-se honestamente, de acordo com sua condição social.
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