EFEMÉRIDES DO CALANGO

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14 outubro, 2014

Doraemon, o subversivo

doraemon
Doraemon, um rechonchudo gato robótico azul, personagem de um mangá japonês de mais de 45 anos, virou alvo de críticas de jornais da China. Ele foi acusado de tentar "corromper a juventude" por difundir a cultura do Japão entre seus fãs chineses.

Segundo a Folha de S. Paulo, a polêmica começou quando uma exposição estrelando o personagem foi inaugurada na cidade de Chengdu, no sul da China, em 16 de agosto - um dia depois do 69º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial. Jornais como o Global Times e o Diário de Chengdu afirmaram que o personagem quer "subverter" a opinião do povo chinês sobre o país "rival".

"Doraemon faz parte dos esforços do Japão para exportar seus valores nacionais e realizar sua estratégia cultural, e esse é um fato indiscutível", escreveu o Diário em editorial. "Com isso em mente, precisamos ser menos cegos e ficar frios quando beijamos as bochechas do gato azul gordinho", continuou.

Já Wang Dehua, colunista do Global Times, disse que o personagem representa o "suave poder" do Japão. "Jamais podemos deixar que um gatinho robótico controle nossas mentes", escreveu. Outra publicação afirmou em editorial que Doraemon representa uma forma de "intervenção cultural" que quer "enfraquecer a postura firme do povo chinês em questões históricas".

O mangá já vendeu mais de 100 milhões de cópias — um dos mais vendidos do mundo — enquanto a série de TV ("anime") já foi exibida em mais de 30 países. Em 2008, Doraemon foi nomeado embaixador do governo japonês, numa cerimônia oficial realizada em Tóquio que contou com a presença de Masahiko Komura, Ministro de Relações Exteriores do país.


30 março, 2010

[charge] Apreciando a vista


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30 julho, 2008

[almanaque] Pequim ou Beijing?

Estamos a poucos dias dos Jogos Olímpicos de Pequim. Pequim? Não é Beijing? Eu, assim como o Rodolfo Castrezana, do Omedi, fiquei em dúvida. Afinal, eu aprendi na escola que era Pequim. Só vi o termo Beijing há pouco mais de 10 anos.
Sempre tive essa curiosidade, mas nunca fui atrás até ler um post do Omedi pedindo esclarecimentos.
Pois bem, pesquisei e aí vai a resposta obtida no Sua Língua, do professor Carlos Moreno:

Para nós, os chineses da capital vivem em Pequim, mesmo que eles gritem todos juntos que vivem em Beijing. Nossos antepassados lusitanos entraram na China no séc. XVI; como herança deles, falamos uma língua que conhece o nome Pequim há quase 500 anos. Aliás, no início havia também algumas divergências quanto à sua pronúncia, mas sob outro enfoque: Fernão Mendes Pinto, o extraordinário escritor-viajante, fala, no capítulo CV da Peregrinação, desta "cidade que nós chamamos Paquim, a quem os seus naturais chamam Pequim". Portugal manteve intenso intercâmbio com a China, enviando embaixadores, missionários, aventureiros, comerciantes e militares (não necessariamente nessa ordem) ao império dos "chins", como diziam, acabando por estabelecer uma base em Macau, até recentemente sob domínio ocidental. Por tudo isso, nosso idioma se acostumou a nomes como Pequim, Cantão e Nanquim, além de suas derivações: falamos da cozinha cantonesa, da tinta nanquim, do cachorro pequinês (aquele pequeno cãozinho doméstico de focinho achatado). Assim vivemos felizes por meio milênio, e não vamos trocar tudo isso apenas por causa de uma lei chinesa.

O governo da China, pretendendo uniformizar as transliterações que o Ocidente faz de seus nomes, desenvolveu e divulgou o sistema PINYIN, que regula a transcrição fonética da língua chinesa para o alfabeto romano. É útil e necessária a honorável iniciativa das veneráveis autoridades chinesas; a adoção desse sistema trará, finalmente, a serenidade aos leitores que, como eu, se sobressaltam a cada nova grafia do célebre presidente Mao (Mao Tse-Tung, Mao Tsetung, agora Mao Zedong) ou do não menos famoso Chiang Kai-shek (Chang Kai-chek, Tchang Kai Chek, parece que agora Jiang Jieshi). Como disse um jornalista pouco respeitoso, "o sistema pinyin vai acabar finalmente com a sopa de letrinhas!".

Isso não significa, porém, que vamos abandonar os nomes já enraizados em nosso léxico. Para entender por que afirmo isso, basta comparar, no quadro abaixo, o nome tradicional com a nova versão pinyin:

Cantão - Guangzhou
Xangai - Shanghai
Pequim - Beijing
Nanquim - Nanjing
Hong-Kong - Xianggang


Nota que não houve aqui uma "troca de nome", como a do Sião para Tailândia, ou de São Petersburgo para Leningrado, e de Leningrado de novo para São Petersburgo - casos em que existe uma pressão natural que nos leva a adotar a nova denominação. Houve apenas uma troca de sistema de transcrição, o que termina sendo pouca coisa além de uma troca na grafia (já que a pronúncia é variável nas diferentes regiões da vasta China continental). É sabido que as leis ortográficas de um país não costumam ter repercussão nas outras línguas. Quando nós oficializamos a grafia Brasil, os países de língua inglesa continuaram a usar Brazil, a forma consagrada durante nosso regime imperial, enquanto a França, alheia a tudo, sempre usou alegremente o seu Brésil. Por isso, mesmo que um bilhão de chineses não concordem, devemos manter o Pequim do Português, da mesma forma que se mantiveram Pékin (Fr.), Pechino (It.), Pekín (Esp.) e Peking (Al.). Só os jornais de língua inglesa se apressaram em aderir à novidade; talvez, em nome da globalização, nossa imprensa pudesse adotar o hábito educativo de incluir, entre parênteses, o nome reformulado: Pequim (Beijing).

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