EFEMÉRIDES DO CALANGO

Já viu esse aqui?

20 outubro, 2017

O avental de papai Vader...

A igreja do Diabo, de Machado de Assis, o conto que inspirou o filme "A comédia divina"


Capítulo I
De uma ideia mirífica

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.

— Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.

Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a ideia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo: — Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul.

Capítulo II
Entre Deus e o Diabo

Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu. Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado, detiveram-se logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os olhos no Senhor.

— Que me queres tu? perguntou este.
— Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os Faustos do século e dos séculos.
— Explica-te.
— Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e alaúdes o recebam com os mais divinos coros...
— Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.
— Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja. Estou cansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício. É tempo de obter a vitória final e completa. E então vim dizer-vos isto, com lealdade, para que me não acuseis de dissimulação... Boa ideia, não vos parece?
— Vieste dizê-la, não legitimá-la, advertiu o Senhor.
— Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor-próprio gosta de ouvir o aplauso dos mestres. Verdade é que neste caso seria o aplauso de um mestre vencido, e uma tal exigência... Senhor, desço à terra; vou lançar a minha pedra fundamental.
— Vai.
— Quereis que venha anunciar-vos o remate da obra?
— Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cansado há tanto da tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma igreja.

O Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma ideia cruel no espírito, algum reparo picante no alforje de memória, qualquer coisa que, nesse breve instante de eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse:

— Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por essa franja, e trazê-las todas para minha igreja; atrás delas virão as de seda pura...
— Velho retórico! murmurou o Senhor.
— Olhai bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo, trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupilas centelham de curiosidade e devoção entre o livro santo e o bigode do pecado. Vede o ardor, — a indiferença, ao menos, — com que esse cavalheiro põe em letras públicas os benefícios que liberalmente espalha, — ou sejam roupas ou botas, ou moedas, ou quaisquer dessas matérias necessárias à vida... Mas não quero parecer que me detenho em coisas miúdas; não falo, por exemplo, da placidez com que este juiz de irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma comenda... Vou a negócios mais altos...

Nisto os serafins agitaram as asas pesadas de fastio e sono. Miguel e Gabriel fitaram no Senhor um olhar de súplica. Deus interrompeu o Diabo.

— Tu és vulgar, que é o pior que pode acontecer a um espírito da tua espécie, replicou-lhe o Senhor. Tudo o que dizes ou digas está dito e redito pelos moralistas do mundo. É assunto gasto; e se não tens força, nem originalidade para renovar um assunto gasto, melhor é que te cales e te retires. Olha; todas as minhas legiões mostram no rosto os sinais vivos do tédio que lhes dás. Esse mesmo ancião parece enjoado; e sabes tu o que ele fez?
— Já vos disse que não.
— Depois de uma vida honesta, teve uma morte sublime. Colhido em um naufrágio, ia salvar-se numa tábua; mas viu um casal de noivos, na flor da vida, que se debatiam já com a morte; deu-lhes a tábua de salvação e mergulhou na eternidade. Nenhum público: a água e o céu por cima. Onde achas aí a franja de algodão?
— Senhor, eu sou, como sabeis, o espírito que nega.
— Negas esta morte?
— Nego tudo. A misantropia pode tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos outros, para um misantropo, é realmente aborrecê-los...
— Retórico e sutil! exclamou o Senhor. Vai, vai, funda a tua igreja; chama todas as virtudes, recolhe todas as franjas, convoca todos os homens... Mas, vai! vai!

Debalde o Diabo tentou proferir alguma coisa mais. Deus impusera-lhe silêncio; os serafins, a um sinal divino, encheram o céu com as harmonias de seus cânticos. O Diabo sentiu, de repente, que se achava no ar; dobrou as asas, e, como um raio, caiu na terra.

Capítulo III
A boa nova aos homens

Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.

— Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...

Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada.

Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: "Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu..." O mesmo disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons versos de Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de Luculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o valor intrínseco daquela virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de propriedades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.

As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloquência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.

Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: Muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrado assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.

E descia, e subia, examinava tudo, retificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia gratuita, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie; nos casos, porém, em que ela fosse uma expansão imperiosa da força imaginativa, e nada mais, proibia receber nenhum salário, pois equivalia a fazer pagar a transpiração. Todas as formas de respeito foram condenadas por ele, como elementos possíveis de um certo decoro social e pessoal; salva, todavia, a única exceção do interesse. Mas essa mesma exceção foi logo eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em simples adulação, era este o sentimento aplicado e não aquele.

Para rematar a obra, entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Com efeito, o amor do próximo era um obstáculo grave à nova
instituição. Ele mostrou que essa regra era uma simples invenção de parasitas e negociantes insolváveis; não se devia dar ao próximo senão indiferença; em alguns casos, ódio ou desprezo. Chegou mesmo à demonstração de que a noção de próximo era errada, e citava esta frase de um padre de Nápoles, aquele fino e letrado Galiani, que escrevia a uma das marquesas do antigo regime: "Leve a breca o próximo! Não há próximo!" A única hipótese em que ele permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar as damas alheias, porque essa espécie de amor tinha a particularidade de não ser outra coisa mais do que o amor do indivíduo a si mesmo. E como alguns discípulos achassem que uma tal explicação, por metafísica, escapava à compreensão das turbas, o Diabo recorreu a um apólogo: — Cem pessoas tomam ações de um banco, para as operações comuns; mas cada acionista não cuida realmente senão nos seus dividendos: é o que acontece aos adúlteros. Este apólogo
foi incluído no livro da sabedoria.

Capítulo IV
Franjas e franjas

A previsão do Diabo verificou-se. Todas as virtudes cuja capa de veludo acabava em franja de algodão, uma vez puxadas pela franja, deitavam a capa às urtigas e vinham alistar-se na igreja nova. Atrás foram chegando as outras, e o tempo abençoou a instituição. A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.

Um dia, porém, longos anos depois notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros.

A descoberta assombrou o Diabo. Meteu-se a conhecer mais diretamente o mal, e viu que lavrava muito. Alguns casos eram até incompreensíveis, como o de um droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e, com o produto das drogas, socorria os filhos das vítimas. No Cairo achou um perfeito ladrão de camelos, que tapava a cara para ir às mesquitas. O Diabo deu com ele à entrada de uma, lançou-lhe em rosto o procedimento; ele negou, dizendo que ia ali roubar o camelo de um drogomano; roubou-o, com efeito, à vista do Diabo e foi dá-lo de presente a um muezim, que rezou por ele a Alá. O manuscrito beneditino cita muitas outras descobertas extraordinárias, entre elas esta, que desorientou completamente o Diabo. Um dos seus melhores apóstolos era um calabrês, varão de cinquenta anos, insigne falsificador de documentos, que possuía uma bela casa na campanha romana, telas, estátuas, biblioteca, etc. Era a fraude em pessoa; chegava a meter-se na cama para não confessar que estava são. Pois esse homem, não só não furtava ao jogo, como ainda dava gratificações aos criados. Tendo angariado a amizade de um cônego, ia todas as semanas confessar-se com ele, numa capela solitária; e, conquanto não lhe desvendasse nenhuma das suas ações secretas, benzia-se duas vezes, ao ajoelhar-se, e ao levantar-se. O Diabo mal pôde crer tamanha aleivosia. Mas não havia que duvidar; o caso era verdadeiro.

Não se deteve um instante. O pasmo não lhe deu tempo de refletir, comparar e concluir do espetáculo presente alguma coisa análoga ao passado. Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno. Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e disse-lhe:

— Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana.

Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000195.pdf. Acesso em 20 out. 2018

17 outubro, 2017

A primeira vez que Superman enfrentou o Capitão Marvel (ou quase)

A título de consolidação de informações, Superman surgiu como super-herói em junho de 1938, na Action Comics #1, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, pela National Comics, atual DC Comics.

Já o Capitão Marvel apareceu em fevereiro de 1940, na Whiz Comics #2 (a WC #1 foi apenas um ashcan, uma edição registrada para fins de copyright do personagem), criado C. C. Beck e Bill Parker, pela Fawcett Comics. Como o ashcan é de 1939, a criação do herói é considerada deste ano.


Se notarmos bem, essa capa da Whiz é claramente uma provocação à Action Comics #1. Enquanto o Superman apenas erguia o carro para deixá-lo cair numa rocha, o Capitão Marvel simplesmente lança um carro do mesmo modelo há metros de distância, sem demonstrar esforço.

Antes de continuar, é necessário lembrar que seu nome original era Capitão Trovão (Captain Thunder, no original). O nome foi trocado na Whiz Comics #2 porque já havia um personagem com esse nome na editora Fiction House.


Não é preciso muito para se imaginar que a briga judicial nasceu logo ali, com o Capitão Marvel sendo um herói muito similar ao Superman. Para piorar, começou a vender muito mais e ofuscou o sucesso do homem de aço.

Aberto o processo em 1941, pela National Comics, durou doze anos. Em 1953, a Fawcett propôs um acordo, pois, devido às baixas vendas de sua revista, abandonar a publicação de histórias em quadrinhos e dedicar-se a outros ramos editoriais. Com isso, o Capitão Marvel caiu no esquecimento por longos 20 anos.

Em 1973, a DC Comics finalmente adquiriu os direitos do Capitão Marvel e o relançou numa revista chama Shazam (o nome Capitão Marvel para revistas havia sido registrado pela Marvel para uso do herói kree Mar-Vell, mas essa é uma outra história).


Mas o Capitão Marvel vivia suas aventuras numa dimensão diferente da nossa, na Terra S. Logo, não havia, em princípio, como se encontrar com o Superman. Na capa acima, o Superman apenas apresenta o 'novo' super-herói da DC.

Resumindo: o Capitão Marvel, nascido Capitão Trovão (Captain Thunder), desapareceu em 1953 e ficou 20 anos sumido, até ressurgir em 1973.

Com isso em mente, apresento a Superman #276, de junho de 1974, em que o azulão enfrenta Captain Thunder (uma referência explícita ao primeiro nome do Capitão Marvel).

Escrita por Elliot S. Maggin e magistralmente desenhada por Curt Swan, esse Captain Thunder surge em nossa dimensão na sua forma humana de Willie Fawcett (Willie é outra forma para Billy e Fawcett é uma homenagem à editora original do herói). Em certo ponto da história, esse garoto encontra Clark Kent e conta sua origem como herói, quando encontrou um ancião indígena, um xamã da tribo dos mohegans, que lhe concedeu os poderes do Captain Thunder. A transformação ocorria sempre que o menino estivesse usando uma fivela mágica com um raio gravado e falasse a palavra THUNDER, acrônimo para Tornado (poder), Hare (lebre, associada a velocidade), Uncas (um chefe guerreiro da tribo dos mohegans, associado a bravura), Nature (natureza, associada a sabedoria), Diamond (diamante, associado a resistência, dureza), Eagle (águia, associada ao voo) e Ram (aríete, associado a tenacidade).

Em português, deu um pouquinho de trabalho para se conseguir uma boa combinação. Ao contrário de Shazam, um acrônimo formado pelas iniciais de entidades cujos nomes em português são similares, Thunder não funciona assim. Além disso, possui tradução: Trovão. Mas aí Thunder tem 7 letras e Trovão apenas 6. O jeito foi improvisar e a editora EBAL saiu com Capitão Corisco.

Corisco, subst. masc., faísca elétrica da atmosfera, acompanhada ou não de trovão; raio.

Ótimo! Também tem a ver com raio e tem 7 letras que puderam compor o seguinte acrônimo: CORISCO = Centelha (associado a velocidade), Onda (associado a tenacidade), Rocha (associado a dureza, resistência), Índio Uncas (associado à bravura do lendário chefe), Sol (associado ao poder), Condor (associado ao voo) e Oráculo (associado a sabedoria).

Interessante é que Willie Fawcett/Capitão Corisco desaparece de sua dimensão em 1954 e ressurge em nossa dimensão em 1974, 20 anos depois, como uma referência ao período de esquecimento do Capitão Marvel (1953-1973). Além disso, não havia Superman em sua dimensão, mas os flashbacks mostram um Dr. Sivana genérico e uma Liga dos Monstros composta por personagens clássicos do terror e que teria sido a última ameaça enfrentada por Corisco antes de surgir em nossa Terra. Me parece uma referência à última edição da revista do Capitão Marvel antes do esquecimento, a Whiz Comics #155, onde ele enfrenta um monstro morcego, o Kraken, numa clara tentativa de aderir ao estilo terror.

Interessante também é o contexto desse encontro entre o Superman e o Capitão Corisco. Superman encontra-o como antagonista, mas acaba por auxiliá-lo a voltar ao lado do bem. Funciona como uma metáfora do relacionamento dos heróis quando em editoras distintas.

Podemos dizer que eles eram antagonistas quando estavam em editoras diferentes e que depois de um período de 20 anos sem disputa comercial, a aquisição de seus direitos pela DC trouxe o Capitão Marvel para o lado comercial "certo", na mesma editora do Superman.

De toda forma, mesmo sendo uma versão metafórica do Capitão Marvel, dadas as semelhanças, pode-se afirmar que este foi o primeiro encontro entre os dois grandes ícones da Era de Ouro.

E para saborear esse encontro, segue o link da edição brasileira, Superman Especial em cores #43, da EBAL, em link obtido no excelente Guia EBAL.


Kiwis... comendo kiwis???


16 outubro, 2017

A assassina, por Calango


Star Wars - Os Últimos Jedi (trailer 2 legendado)


Você sabe qual é o primeiro nome do Sargento Tainha?


Os Novos Mutantes (trailer legendado) - Vai ser um filme de terror?


Pantera Negra - trailer 2 legendado


O que aconteceria se... o Alfred fizesse tricô?


Um garrafa de xarope de Coca-Cola... em 1906!

Já sem cocaína desde 1903!

13 outubro, 2017

Zatanna, por Darwyn Cooke



Monumento ao rato de laboratório

O monumento ao rato de laboratório é uma escultura de cerca de 70 cm, instalada sobre um pedestal de 2,5 m, localizada na cidade de Novosibirsk, na Sibéria, Rússia.
Encontra-se em frente ao Instituto de Citologia e Genética da Academia Ciências da Rússia e foi concluído em 1º de julho de 2013, coincidindo com os 120 anos de fundação da cidade.

De acordo com Nikolai Kolchanov, diretor do instituto, o monumento representa a gratidão da humanidade pelo animal que é utilizado em pesquisas genéticas, para entender mecanismos biológicos e fisiológicos, no desenvolvimento de novas drogas e na cura de doenças.

Fonte: Wikipédia

O impostor - uma crônica em webcomic sobre Paul McCartney


E esse tal de Paul McCartney? Será um impostor?
Para descobrir, clique nesse link --> https://especiais.zh.clicrbs.com.br/especiais/o-impostor/
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