EFEMÉRIDES DO CALANGO

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06 novembro, 2017

Supergirl, por Kotatsu G-Rough



Afinal, qual a história do nome Capitão Marvel?

Em 1939, C. C. BeckBill Parker criaram o Capitão Trovão (Captain Thunder) para a editora Fawcett Comics. Mas já havia um personagem com esse nome na editora Fiction House. Por isso, na primeira revista realmente publicada com o herói, a Whiz Comics #2, ele foi rebatizado como Capitão Marvel (Captain Marvel).

O herói teve suas aventuras publicadas por 13 anos (1940-1953), sob o ataque judicial da DC Comics, que considerava o Capitão Marvel um plágio do Superman. A Fawcett via suas revistas em declínio comercial e fez um acordo com a DC Comics para parar de publicar o herói que chegou a ofuscar o Superman na era de Ouro.

Não havendo mais sinal da existência de um Capitão Marvel, pois ele ainda pertencia à Fawcett, mas ela não podia mais publicá-lo, outro herói homônimo surgiu em 1966.

Criado por Roger Elwood, Leon Francho e Carl Burgos, o novo herói foi publicado pela M. F. Enterprises, de propriedade de Myron Fass. Durou apenas 4 edições regulares (Captain Marvel #1 a #4, abr-nov/1966), além de uma edição especial, intitulada Captain Marvel Presents The Terrible 5.


Interessante notar que um de seus criadores foi Carl Burgos, o criador do Tocha Humana original para a Timely Comics, atual Marvel Comics. Isso porque o Capitão Marvel de Burgos era uma androide também, um ser humano artificial, único sobrevivente de uma planeta que tinha acabado numa guerra nuclear. Possuía olhos laser e jatos das botas, além de força, velocidade e durabilidade sobre-humanas. Mas o estranho mesmo era que podia separar sua cabeça, membros e mãos e enviá-los a voar em todas as direções sempre que ele gritava "Split!" e reconectá-los quando gritava "Xam!".

Esse Capitão Marvel chegou a aparecer em The Power of Shazam! #27 (1997), juntamente com outras versões alternativas do Capitão Marvel original (agora da DC Comics).

Em 1967, Stan Lee, editor da Marvel Comics achou que se uma editora devia ter o direito de ter um personagem chamado Capitão Marvel, só podia ser a editora que também se chamava Marvel e acabou atropelando judicialmente a M. F. Enterprises pelo direito do nome Capitão Marvel.

Não foi difícil ganhar por uma falha simplória da M. F. Enterprises. De acordo com a legislação de direitos autorais dos EUA, todos os trabalhos publicados entre 1923-1977 que não tenha o copyright da primeira edição "na página de título ou na primeira página de texto de cada número separado ou sob o título " tornaram-se de domínio público após a publicação.

Assim, em julho/1967, o nome Capitão Marvel foi utilizado pela Marvel Comics em Fantastic Four #64 e passou a denominar o guerreiro kree Mar-Vell. Mas foi Marvel Super-Heroes #12 Featuring: Captain Marvel, de dezembro/1967, que cumpriu o requisito legal que tornou o nome propriedade da Marvel Comics.

Por conta disso, em 1973, quando a DC Comics finalmente adquiriu os direitos do personagem da Fawcett Comics, não foi possível usar seu nome na capa de uma revista, pois esse direito era da Marvel Comics.

Antes disso, em outubro de 1969, Roy Thomas e Gil Kane nos apresentaram uma versão reformulada do Capitão Marvel kree, tendo por base o herói original da era de Ouro, mas trocando a magia pela ficção científica como base de seus poderes e transformações.


O herói da Marvel Comics também trocava de lugar com um garoto quando sua atuação era necessária, mas havia algumas diferenças.
  1. Em vez de um garoto de 12-13 anos como Billy Batson, quem trocava de lugar com o Capitão Marvel kree era um adolescente marrento de 16 anos, Rick Jones, o mesmo que fez Bruce Banner correr por um campo de testes de uma bomba Gama e o mesmo que foi durante um curto período um novo Bucky para Steve Rogers.
  2. Em vez de palavra mágica e um raio para a troca de posições, o choque entre dois braceletes de tecnologia kree que levava Rick Jones para um período na zona negativa, uma dimensão similar à zona fantasma das HQs do Superman, e vice-versa. Aqui, o interessante foi a preocupação em dizer o que acontecia com Rick ou com Mar-Vell quando não estavam presentes. No caso de Billy Batson/Capitão Marvel original, não há explicação sobre aonde estão quando desaparecem.
  3. O próprio uniforme reformulado lembrava o do Capitão Marvel original, quase todo vermelho e com um símbolo de luz no peito, uma estrela em vez de um raio.

Bom, o fato é que o Capitão Marvel kree ainda passou por várias evoluções de seus poderes até que morreu de câncer em 1982.


Assim, temos a seguinte linha do tempo:
1939-1953 - Capitão Marvel da Fawcett Comics (Capitão Marvel original)
1953-1966 - Não há Capitão Marvel publicado
1966-1967 - Capitão Marvel da M. F. Enterprises (um androide alienígena)
1967-1982 - Capitão Marvel da Marvel Comics (Mar-Vell)
1973-2011 - Capitão Marvel original, agora pela DC Comics. Em 2011, a DC abandonou o nome Capitão Marvel nos quadrinhos, passando a chamá-lo apenas de Shazam!

E isso sem contar:
  1. Marvelman, um pastiche britânico do Capitão Marvel original que foi publicado de 1954-1963, retornando em 1982 com Alan Moore, e mudando de nome em 1985 para Miracleman.
  2. Miss Marvel, da Casa das Ideias, que surgiu em 1977 com poderes similares aos do Capitão Marvel devido à exposição a tecnologia kree ocorrida numa história de 1969 (Captain Marvel #18). Após a morte do Capitão Marvel em 1982, ela ainda permaneceu como Miss Marvel até 2012, quando resolve assumir o título de seu antigo salvador e passa a se denominar Capitã Marvel.




Logo, se há um personagem que pode ser chamado por direito de Capitão Marvel é aquele criado por C. C. Beck e Bill Parker, em 1939.


Fontes:
A vida e a morte do Capitão Marvel - Parte Um - Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel - Salvat, São Paulo: 2017.
Capitão Marvel - Coleção Os Heróis mais Poderosos da Marvel - Salvat, São Paulo: 2015.

03 novembro, 2017

Moedas da Liga da Justiça

A Royal Canadian Mint é a instituição oficial de produção de moedas no Canadá. E costuma fazer séries limitadas de moedas para atender o mercado numismático.
Vejam as moedas comemorativas do filme Liga da Justiça que serão lançadas ao início de 2018.
Fonte: Facebook

17 outubro, 2017

A primeira vez que Superman enfrentou o Capitão Marvel (ou quase)

A título de consolidação de informações, Superman surgiu como super-herói em junho de 1938, na Action Comics #1, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, pela National Comics, atual DC Comics.

Já o Capitão Marvel apareceu em fevereiro de 1940, na Whiz Comics #2 (a WC #1 foi apenas um ashcan, uma edição registrada para fins de copyright do personagem), criado C. C. Beck e Bill Parker, pela Fawcett Comics. Como o ashcan é de 1939, a criação do herói é considerada deste ano.


Se notarmos bem, essa capa da Whiz é claramente uma provocação à Action Comics #1. Enquanto o Superman apenas erguia o carro para deixá-lo cair numa rocha, o Capitão Marvel simplesmente lança um carro do mesmo modelo há metros de distância, sem demonstrar esforço.

Antes de continuar, é necessário lembrar que seu nome original era Capitão Trovão (Captain Thunder, no original). O nome foi trocado na Whiz Comics #2 porque já havia um personagem com esse nome na editora Fiction House.


Não é preciso muito para se imaginar que a briga judicial nasceu logo ali, com o Capitão Marvel sendo um herói muito similar ao Superman. Para piorar, começou a vender muito mais e ofuscou o sucesso do homem de aço.

Aberto o processo em 1941, pela National Comics, durou doze anos. Em 1953, a Fawcett propôs um acordo, pois, devido às baixas vendas de sua revista, abandonar a publicação de histórias em quadrinhos e dedicar-se a outros ramos editoriais. Com isso, o Capitão Marvel caiu no esquecimento por longos 20 anos.

Em 1973, a DC Comics finalmente adquiriu os direitos do Capitão Marvel e o relançou numa revista chama Shazam (o nome Capitão Marvel para revistas havia sido registrado pela Marvel para uso do herói kree Mar-Vell, mas essa é uma outra história).


Mas o Capitão Marvel vivia suas aventuras numa dimensão diferente da nossa, na Terra S. Logo, não havia, em princípio, como se encontrar com o Superman. Na capa acima, o Superman apenas apresenta o 'novo' super-herói da DC.

Resumindo: o Capitão Marvel, nascido Capitão Trovão (Captain Thunder), desapareceu em 1953 e ficou 20 anos sumido, até ressurgir em 1973.

Com isso em mente, apresento a Superman #276, de junho de 1974, em que o azulão enfrenta Captain Thunder (uma referência explícita ao primeiro nome do Capitão Marvel).

Escrita por Elliot S. Maggin e magistralmente desenhada por Curt Swan, esse Captain Thunder surge em nossa dimensão na sua forma humana de Willie Fawcett (Willie é outra forma para Billy e Fawcett é uma homenagem à editora original do herói). Em certo ponto da história, esse garoto encontra Clark Kent e conta sua origem como herói, quando encontrou um ancião indígena, um xamã da tribo dos mohegans, que lhe concedeu os poderes do Captain Thunder. A transformação ocorria sempre que o menino estivesse usando uma fivela mágica com um raio gravado e falasse a palavra THUNDER, acrônimo para Tornado (poder), Hare (lebre, associada a velocidade), Uncas (um chefe guerreiro da tribo dos mohegans, associado a bravura), Nature (natureza, associada a sabedoria), Diamond (diamante, associado a resistência, dureza), Eagle (águia, associada ao voo) e Ram (aríete, associado a tenacidade).

Em português, deu um pouquinho de trabalho para se conseguir uma boa combinação. Ao contrário de Shazam, um acrônimo formado pelas iniciais de entidades cujos nomes em português são similares, Thunder não funciona assim. Além disso, possui tradução: Trovão. Mas aí Thunder tem 7 letras e Trovão apenas 6. O jeito foi improvisar e a editora EBAL saiu com Capitão Corisco.

Corisco, subst. masc., faísca elétrica da atmosfera, acompanhada ou não de trovão; raio.

Ótimo! Também tem a ver com raio e tem 7 letras que puderam compor o seguinte acrônimo: CORISCO = Centelha (associado a velocidade), Onda (associado a tenacidade), Rocha (associado a dureza, resistência), Índio Uncas (associado à bravura do lendário chefe), Sol (associado ao poder), Condor (associado ao voo) e Oráculo (associado a sabedoria).

Interessante é que Willie Fawcett/Capitão Corisco desaparece de sua dimensão em 1954 e ressurge em nossa dimensão em 1974, 20 anos depois, como uma referência ao período de esquecimento do Capitão Marvel (1953-1973). Além disso, não havia Superman em sua dimensão, mas os flashbacks mostram um Dr. Sivana genérico e uma Liga dos Monstros composta por personagens clássicos do terror e que teria sido a última ameaça enfrentada por Corisco antes de surgir em nossa Terra. Me parece uma referência à última edição da revista do Capitão Marvel antes do esquecimento, a Whiz Comics #155, onde ele enfrenta um monstro morcego, o Kraken, numa clara tentativa de aderir ao estilo terror.

Interessante também é o contexto desse encontro entre o Superman e o Capitão Corisco. Superman encontra-o como antagonista, mas acaba por auxiliá-lo a voltar ao lado do bem. Funciona como uma metáfora do relacionamento dos heróis quando em editoras distintas.

Podemos dizer que eles eram antagonistas quando estavam em editoras diferentes e que depois de um período de 20 anos sem disputa comercial, a aquisição de seus direitos pela DC trouxe o Capitão Marvel para o lado comercial "certo", na mesma editora do Superman.

De toda forma, mesmo sendo uma versão metafórica do Capitão Marvel, dadas as semelhanças, pode-se afirmar que este foi o primeiro encontro entre os dois grandes ícones da Era de Ouro.

E para saborear esse encontro, segue o link da edição brasileira, Superman Especial em cores #43, da EBAL, em link obtido no excelente Guia EBAL.


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