EFEMÉRIDES DO CALANGO

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04 setembro, 2017

Jack Kirby e o Quarteto Fantástico, numa experiência metafísica e metalinguística

Em 2003, Mark Waid e Mike Wieringo fizeram uma belíssima homenagem a Jack Kirby ao final do arco "Ações Autoritárias" (publicado pela Panini primeiro em 2005 e pela Salvat na coleção negra). Colocaram criador e criaturas frente a frente. 

Ben Grimm, o Coisa, estava morrendo, sua alma estava indo embora de seu corpo. Ou como sintetizou o Sr. Fantástico: "A energia que deu vida ao Ben, como qualquer energia, não pode ser destruída... apenas transformada ou realocada. Sendo assim, basta apenas recuperá-la." E lá foram eles, por meio de uma máquina dimensional. em direção ao plano metafísico, buscar a essência do Coisa.

Seguem as páginas desse encontro. 







28 agosto, 2017

Há 100 anos nascia Jack Kirby (1917-1994), um dos grandes mestres da nona arte

Tendo transitado entre as duas maiores editoras de quadrinhos de super-heróis do EUA - DC e Marvel -, é inegável sua contribuição e segue aqui uma pequena mostra de sua arte.








11 agosto, 2016

Etrigan, o demônio de Jack Kirby. Ou... em quadrinhos, tudo é reciclagem!


Etrigan, o demônio anti-herói da DC que vive em simbiose com Jason Blood, foi criado em 1972 por Jack Kirby. 




Ele é filho do demônio Belial e meio-irmão de Merlin,  responsável pela sua invocação original, bem como de sua vinculação ao humano Jason Blood.




Sua invocação ocorre a partir de um poema:
"Transforma-te, homem, transforma-te! Abandone as impurezas da carne, Pois no peito de fogo o coração arde! Abandone a forma humana, vilã! Erga-se o demônio Etrigan!"
Original: 
"Change! Change, oh form of man! Release the might from fleshy mire! Boil the blood in heart of fire! Gone! Gone! -- the form of man -- Rise, the Demon Etrigan!!"


Ocorre que Kirby nunca foi muito interessado no gênero terror. O fez por uma demanda da DC. Isso talvez explique um pouco o que vem a seguir. A imagem de Etrigan é basicamente idêntica a um disfarce utilizado pelo Príncipe Valente, de Hal Foster, em 1937. Veja as belíssimas imagens de Hal Foster para essa história:
Na trama de Foster, o Príncipe Valente precisava de um disfarce assustador. Então, ele mata um ganso, depena e usa sua pele e outras partes do corpo da ave para compor a máscara de demônio. Note que as orelhas são as patas do ganso e que a máscara é exatamente a aparência do moderno Etrigan. 



Mesmo o traje, com capa, é basicamente o que Etrigan usa.




Mas Kirby nunca escondeu esse fato. Na verdade, Etrigan é uma grande homenagem do mestre Kirby ao mestre Foster. 


E a história acabaria aqui se não fosse um detalhe: Foster também não foi original na composição de seu "demônio". Ele pode ter se inspirado num filme sueco de 1922, Haxän, de Benjamin Christensen. Basicamente, um documentário sobre bruxas. O filme mostra o diabo, mas também a avó do diabo. essa personagem é que possui as feições do disfarce de Valente e, por tabela, de Etrigan.




Essa teoria é controversa, pois não maiores evidências que não a própria aparência da personagem. Contudo, é uma semelhança incrível e não seria estranho que Foster pudesse ter assistido o filme (lançado nos EUA em 1929) e lembrado daquela imagem na hora de compor o disfarce do Príncipe Valente em 1937. Veja uma comparação dos três personagens:





22 fevereiro, 2016

[OPINIÃO] X-men / Os Fabulosos X-men (Coleção vermelha da Salvat)

Como já comentei no segundo calangocast, não pretendo ter a coleção vermelha da Salvat, pois considero que a maior parte dela é puro caça-níquel, além de não ter dinheiro para tanta coisa. Mas já comprei alguns encadernados e comecei a tirar o atraso neste final de semana. Dessa forma, vamos falar sobre os volumes 10 e 15, "X-men" e "Os Fabulosos X-men".
O volume X-men contém a famosa mini em seis partes "Os filhos do átomo" (1999), por Joe Casey e Steve Rude e a primeira história dos X-men (1963), por Stan Lee e Jack Kirby. "Os filhos do átomo" pretende recontar a origem dos X-men, como Xavier os encontrou, como eram esses adolescentes quando foram localizados etc. É uma história que tinha tudo para ser sensacional, mas que parece desandar do meio para o fim. É um história boa, mas não mais que isso. Um dos pontos fortes é mostrar que o Professor X nem sempre foi essa pessoa tão educada que vemos na fase de Claremont e Byrne, que já teve ressentimentos e mágoas que aproximavam sua visão daquela de Magneto, mas explica como ele conseguiu refrear esses pensamentos menos nobres. Esse Xavier dos primeiros dias, mais autoritário, lembra o de Guerras Secretas. A segunda parte desse encadernado é perfeita, pois é a versão original dessa origem, contada por Stan Lee e desenhada por Jack "Rei" Kirby. É muito legal ler e ficar lembrando das referências que Joe Casey usou na sua mini. Trata-se de um documento histórico. Se você nunca leu a história aonde tudo começou, esse encadernado acaba com essa lacuna.
Nota do encadernado: 8,5
O volume "Os Fabulosos X-men" contém 3 histórias da era Claremoint & Byrne, distribuídas em cinco revistas, além da graphic novel "Deus Ama, o Homem Mata". A primeira é excelente como resumo da história dos X-men até então. Trata-se do funeral de Jean Grey, onde Ciclope recorda de tudo que aconteceu desde que entrou para os X-men, desde a primeira aventura até a saga da Fênix Negra. John Byrne se esmera na reconstrução de algumas cenas de X-men #1. Como li essa revista no volume que apresentei acima, ficou fácil voltar na revista e encontrar as cenas reconstruídas por Byrne a partir do original de Kirby. A história seguinte (dupla) é centrada no Wolverine e nos leva ao Canadá e à Tropa Alfa, recordando que Wolverine já foi um agente secreto do governo canadense e sua primeira história enfrentando Hulk e Wendigo (lembrando que era uma história do Hulk e o Wolverine surgiu como mero coadjuvante).
É interessante ver novamente um Wolverine mais humano e contido, lutando contra seu instinto animal, em vez da máquina de assassinatos dos últimos anos. Por fim, uma das histórias mais clássicas dos X-men, "Dias de um futuro esquecido". Diferente de suas versões no cinema ou na animação dos anos 90, trata-se de uma história comovente e de final aberto. Cabe ao leitor conjeturar sobre a efetividade ou não da manobra de troca de consciências no tempo para evitar a morte de um político influente nas questões mutantes. A história que fecha esse encadernado é um marco na quadrinhografia dos X-men,"Deus Ama, o Homem Mata". Essa graphic novel escrita por Chris Claremont e magistralmente desenhada por Brent Anderson possui a alma daquilo que Stan Lee pretendeu quando criou os X-men, falar sobre discriminação. Para quem não conhece, o antagonista aqui não é um supervilão, mas um pastor que inicia uma cruzada contra a existência do homo superior. Afinal, Deus criou o homo sapiens, não é? É claro que esta seita possui um braço armado (qualquer coincidência com táticas nazistas não é mera coincidência), mas como os X-men podem lutar contra um personalidade midiática que possui até o presidente dos EUA entre os espectadores de sua pregação? Qualquer erro pode transformar os mutantes no inimigo comum de toda a humanidade (lembram do início do filme X-men 2?). Nota desse encadernado? 10,0 com louvor!!!
Antes de finalizar, lembro que estou excluindo da minha análise as pretensas reportagens sobre os personagens. Se não erradas, não me parecem confiáveis. Parecem ter sido escritas por um jornalista que não conhece nada de quadrinhos, mas procurou transcrever o que escutou de um consultor especializado em quadrinhos. Ou seja, o texto final pode não ser coerente para leitores veteranos. Apenas como exemplo, em "Os Fabulosos X-men" há uma lista de todos os mutantes que já foram X-men e para o nome Aurora há uma imagem do Pássaro da Neve (sic!)
 Aurora e Pássaro da Neve
(fácil confundir, né?)
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