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22 fevereiro, 2016

[OPINIÃO] X-men / Os Fabulosos X-men (Coleção vermelha da Salvat)

Como já comentei no segundo calangocast, não pretendo ter a coleção vermelha da Salvat, pois considero que a maior parte dela é puro caça-níquel, além de não ter dinheiro para tanta coisa. Mas já comprei alguns encadernados e comecei a tirar o atraso neste final de semana. Dessa forma, vamos falar sobre os volumes 10 e 15, "X-men" e "Os Fabulosos X-men".
O volume X-men contém a famosa mini em seis partes "Os filhos do átomo" (1999), por Joe Casey e Steve Rude e a primeira história dos X-men (1963), por Stan Lee e Jack Kirby. "Os filhos do átomo" pretende recontar a origem dos X-men, como Xavier os encontrou, como eram esses adolescentes quando foram localizados etc. É uma história que tinha tudo para ser sensacional, mas que parece desandar do meio para o fim. É um história boa, mas não mais que isso. Um dos pontos fortes é mostrar que o Professor X nem sempre foi essa pessoa tão educada que vemos na fase de Claremont e Byrne, que já teve ressentimentos e mágoas que aproximavam sua visão daquela de Magneto, mas explica como ele conseguiu refrear esses pensamentos menos nobres. Esse Xavier dos primeiros dias, mais autoritário, lembra o de Guerras Secretas. A segunda parte desse encadernado é perfeita, pois é a versão original dessa origem, contada por Stan Lee e desenhada por Jack "Rei" Kirby. É muito legal ler e ficar lembrando das referências que Joe Casey usou na sua mini. Trata-se de um documento histórico. Se você nunca leu a história aonde tudo começou, esse encadernado acaba com essa lacuna.
Nota do encadernado: 8,5
O volume "Os Fabulosos X-men" contém 3 histórias da era Claremoint & Byrne, distribuídas em cinco revistas, além da graphic novel "Deus Ama, o Homem Mata". A primeira é excelente como resumo da história dos X-men até então. Trata-se do funeral de Jean Grey, onde Ciclope recorda de tudo que aconteceu desde que entrou para os X-men, desde a primeira aventura até a saga da Fênix Negra. John Byrne se esmera na reconstrução de algumas cenas de X-men #1. Como li essa revista no volume que apresentei acima, ficou fácil voltar na revista e encontrar as cenas reconstruídas por Byrne a partir do original de Kirby. A história seguinte (dupla) é centrada no Wolverine e nos leva ao Canadá e à Tropa Alfa, recordando que Wolverine já foi um agente secreto do governo canadense e sua primeira história enfrentando Hulk e Wendigo (lembrando que era uma história do Hulk e o Wolverine surgiu como mero coadjuvante).
É interessante ver novamente um Wolverine mais humano e contido, lutando contra seu instinto animal, em vez da máquina de assassinatos dos últimos anos. Por fim, uma das histórias mais clássicas dos X-men, "Dias de um futuro esquecido". Diferente de suas versões no cinema ou na animação dos anos 90, trata-se de uma história comovente e de final aberto. Cabe ao leitor conjeturar sobre a efetividade ou não da manobra de troca de consciências no tempo para evitar a morte de um político influente nas questões mutantes. A história que fecha esse encadernado é um marco na quadrinhografia dos X-men,"Deus Ama, o Homem Mata". Essa graphic novel escrita por Chris Claremont e magistralmente desenhada por Brent Anderson possui a alma daquilo que Stan Lee pretendeu quando criou os X-men, falar sobre discriminação. Para quem não conhece, o antagonista aqui não é um supervilão, mas um pastor que inicia uma cruzada contra a existência do homo superior. Afinal, Deus criou o homo sapiens, não é? É claro que esta seita possui um braço armado (qualquer coincidência com táticas nazistas não é mera coincidência), mas como os X-men podem lutar contra um personalidade midiática que possui até o presidente dos EUA entre os espectadores de sua pregação? Qualquer erro pode transformar os mutantes no inimigo comum de toda a humanidade (lembram do início do filme X-men 2?). Nota desse encadernado? 10,0 com louvor!!!
Antes de finalizar, lembro que estou excluindo da minha análise as pretensas reportagens sobre os personagens. Se não erradas, não me parecem confiáveis. Parecem ter sido escritas por um jornalista que não conhece nada de quadrinhos, mas procurou transcrever o que escutou de um consultor especializado em quadrinhos. Ou seja, o texto final pode não ser coerente para leitores veteranos. Apenas como exemplo, em "Os Fabulosos X-men" há uma lista de todos os mutantes que já foram X-men e para o nome Aurora há uma imagem do Pássaro da Neve (sic!)
 Aurora e Pássaro da Neve
(fácil confundir, né?)
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