EFEMÉRIDES DO CALANGO

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01 maio, 2016

Encontro de gerações, por Yanick Paquette

O excelente desenhista Yanick Paquette promoveu uma encontro inusitado: a Mulher-Maravilha atual, dominadora, amarrando a Mulher-Maravilha da década de 1940 que sempre era amarrada em suas histórias em posições exóticas, num reflexo do fetiche de seu criador por amarração erótica (ou bondage).

01 maio, 2015

A história do detector de mentiras e o criador da Mulher-Maravilha

Sociedades antigas já utilizavam métodos de detecção de mentiras, sendo o principal a tortura. Na Idade Média, usavam água fervendo para detectar mentirosos pois acreditavam que homens honestos iriam suportar mais do que mentirosos.Os primeiros dispositivos para detecção de mentiras de que se tem notícia incluem uma invenção de Cesare Lombroso, de 1895, usado para medir alterações na pressão arterial e um dispositivo de Vittorio Benussi usado para medir a respiração, em 1904. Podemos incluir também um projeto abandonado pelo americano William Marston (Sim! O criador da Mulher-Maravilha!), que usou a pressão arterial para examinar prisioneiros de guerra alemães. A máquina de Marston indicaria uma forte correlação positiva entre a pressão sistólica e o ato de mentir.
Marston, entre filhos e com suas duas esposas
Marston escreveu um segundo artigo sobre o conceito em 1915, ao terminar seus estudos de graduação. A principal inspiração de Marston para o dispositivo foi sua esposa, Elizabeth Holloway Marstonm também psicóloga. Segundo o filho de Marston com Elizabeth, foi ela quem sugeriu a ele que quando ela ficava com raiva ou excitada, sua pressão arterial parecia subir. A personagem de histórias em quadrinhos Mulher Maravilha, criada por William Marston carrega um laço mágico modelado sobre o pneumógrafo (monitor de respiração).
Vejam como a mangueira do pneumógrafo parece um laço enrolado.
Apesar das contribuições de seus antecessores, Marston denominou-se o "pai do polígrafo". Ele se tornou o principal defensor do dispositivo, fazendo lobby para a sua aplicação pelos tribunais. Em 1938, publicou um livro, "The Lie Detector Test", em que documentou a teoria e o uso do dispositivo. Em 1938, ele apareceu em publicidade da empresa Gillette alegando que o polígrafo mostrou que as lâminas de barbear Gillette foram melhores do que a concorrência.

Contudo, note-se que o detector de mentiras de Marston baseava-se apenas na pressão arterial, ao passo que o detector de mentiras moderno é chamado de polígrafo. Ou seja, não é um aparelho que registre apenas uma variável. Nesse sentido, o pai do detector de mentiras, como o conhecemos modernamente, é John Larson.

Enquanto Larson trabalhava no Departamento de Polícia de Berkeley, montou um instrumento portátil em 1921, o qual registrava as mudanças relativas à pressão sanguínea, os padrões do pulso e a respiração. John Larson realizou muitos testes do polígrafo entre 1921 e 1925. O uso do aparelho na aplicação da lei ocorreu pela primeira vez sob a tutela do renomado Chefe de Polícia August Vollmer.

Leonard Keeler agregou o galvanômetro ao polígrafo em 1936. Ele desenvolveu o rolo de papel gráfico, um melhor método de perguntas e incorporou o registrador de variações. Utilizando  novo mecanismo de impressão de tinta, redesenhou o seu polígrafo. Com os novos tambores e arreios foi capaz de reduzir o tamanho e o peso do instrumento e produzir um polígrafo portátil. Em 1938, Associated Research, Inc., de Chicago, construiu o primeiro polígrafo comercial para Leonard Keeler. Foi nomeado Instrumento Poligráfico Keeler.

Em 1967, a Companhia Stoelting de Chicago, começou a produção de polígrafos para competir com Associated Research. O Polyscribe foi o primeiro polígrafo eletrônico e foi introduzido no mercado em agosto de 1974. Este instrumento de 4 canais tinha amplificadores multifuncionais que permitiam o registro de pneumógrafo, cardio e galvanômetro ao ligar um interruptor no painel da cada canal. E depois de anos de investigação e ensaios, Stoelting lança o polígrafo digital em 1991. Este instrumento transmitia os gráficos de forma digital na tela do computador em vez de no papel.



20 abril, 2015

Mulher-maravilha, feminismo e bondage!

"Nem as mulheres querem ser mulheres”, escreveu o psicólogo americano William Moulton Marston, aos 48 anos, a Max Gaines, um editor de histórias em quadrinhos, no início dos anos 1940. Marston esperara chegar à meia-idade para escrever gibis. E estava cansado das personagens femininas fracas. Queria criar uma “super-mulher”. Em dezembro de 1941, publicou a primeira história da Mulher-Maravilha, sob o pseudônimo de Charles Moulton.
Os grandes sucessos da editora, Super-Homem e Batman, despertavam a desconfiança dos pais, que julgavam seu conteúdo violento. Marston dera uma entrevista defendendo os gibis. Procurado pela DC para integrar seu conselho editorial, o psicólogo propôs criar uma heroína. Os editores concordaram. Surgiu Diana, a princesa das amazonas, nascida numa ilha mística. Sob o nome de Mulher-Maravilha, ela vai para os Estados Unidos lutar em favor da “liberdade, da democracia e das mulheres”. Ela salvava seu amado de enrascadas, dizia que não se casaria até “o mal desaparecer da face da Terra” e advogava a independência feminina.
Marston queria transformar Diana em uma peça de propaganda e educar os meninos para viver num novo mundo, com mulheres fortes. “Muitos acadêmicos acreditavam no poder de influência dos quadrinhos sobre as crianças”, diz Matthew Smith, professor de estudos de mídia da Universidade Wittemberg. “Marston achava que, ao escrever a Mulher-Maravilha, prestava uma contribuição importante ao feminismo.”

O psicólogo também acreditava que, para sua contribuição funcionar, o sexo devia fazer parte da receita. Ele pediu que a Mulher-Maravilha fosse desenhada com base nas pin-ups que Alberto Vargas publicava na revista masculina Esquire: esguias, com seios fartos e cabeleira vistosa. Diana vivia laçando adversários e sendo amarrada por eles em posições exóticas, com cordas e correntes – ecos das preferências sexuais de Marston, adepto de amarração erótica, ou bondage. A personagem era um tipo de cavalo de Troia: infiltrava-se nos lares americanos em histórias menos violentas para ensinar às crianças que “o ideal de superioridade masculina e o preconceito contra as mulheres”, nas palavras de Marston, eram prejudiciais. Mas levava também uma pitada de sensualidade. 


Fonte: Época

30 dezembro, 2014

A curiosa história de William Moulton Marston, o criador da Mulher-Maravilha

William Moulton Marston (1893-1947) foi influenciado pelo contexto geográfico e temporal da Segunda Guerra Mundial, propício ao aparecimento de uma personagem feminina com superpoderes, dando continuidade ao Super-homem (1938) e a Batman (1939), para imaginar essa primeira super-heroína em 1941 (sob o pseudônimo de Charles Marston). 
Mas a ideia também surgiu de suas convicções feministas, alimentadas pela admiração que nutria por Margaret Sander, ativista norte-americana responsável pela criação da primeira clínica de controle da natalidade nos Estados Unidos. Ele acreditava na superioridade da mulher do ponto de vista afetivo e emocional. Marston costumava dizer que a Mulher-Maravilha foi criada para ser "uma propaganda psicológica para um novo tipo de mulher que, acredito, deverá governar o mundo".

Enfim, Marston defendia um modelo feminino bastante liberal. E esse liberalismo foi exigido até de suas companheiras. Ele casou-se com Sadie Elizabeth Holloway e, mais tarde, quando dava aulas na Universidade de Tufts, encontrou uma jovem estudante, Olive Byrne (sobrinha de Margaret Sander!!!), por quem se apaixonou. Fez um ultimato à mulher: Olive teria de viver com eles ou o casamento terminava. Acabou por ter filhos das duas mulheres, todos a viver na mesma casa.

Fonte: Jornal i
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