EFEMÉRIDES DO CALANGO

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20 abril, 2015

Mulher-maravilha, feminismo e bondage!

"Nem as mulheres querem ser mulheres”, escreveu o psicólogo americano William Moulton Marston, aos 48 anos, a Max Gaines, um editor de histórias em quadrinhos, no início dos anos 1940. Marston esperara chegar à meia-idade para escrever gibis. E estava cansado das personagens femininas fracas. Queria criar uma “super-mulher”. Em dezembro de 1941, publicou a primeira história da Mulher-Maravilha, sob o pseudônimo de Charles Moulton.
Os grandes sucessos da editora, Super-Homem e Batman, despertavam a desconfiança dos pais, que julgavam seu conteúdo violento. Marston dera uma entrevista defendendo os gibis. Procurado pela DC para integrar seu conselho editorial, o psicólogo propôs criar uma heroína. Os editores concordaram. Surgiu Diana, a princesa das amazonas, nascida numa ilha mística. Sob o nome de Mulher-Maravilha, ela vai para os Estados Unidos lutar em favor da “liberdade, da democracia e das mulheres”. Ela salvava seu amado de enrascadas, dizia que não se casaria até “o mal desaparecer da face da Terra” e advogava a independência feminina.
Marston queria transformar Diana em uma peça de propaganda e educar os meninos para viver num novo mundo, com mulheres fortes. “Muitos acadêmicos acreditavam no poder de influência dos quadrinhos sobre as crianças”, diz Matthew Smith, professor de estudos de mídia da Universidade Wittemberg. “Marston achava que, ao escrever a Mulher-Maravilha, prestava uma contribuição importante ao feminismo.”

O psicólogo também acreditava que, para sua contribuição funcionar, o sexo devia fazer parte da receita. Ele pediu que a Mulher-Maravilha fosse desenhada com base nas pin-ups que Alberto Vargas publicava na revista masculina Esquire: esguias, com seios fartos e cabeleira vistosa. Diana vivia laçando adversários e sendo amarrada por eles em posições exóticas, com cordas e correntes – ecos das preferências sexuais de Marston, adepto de amarração erótica, ou bondage. A personagem era um tipo de cavalo de Troia: infiltrava-se nos lares americanos em histórias menos violentas para ensinar às crianças que “o ideal de superioridade masculina e o preconceito contra as mulheres”, nas palavras de Marston, eram prejudiciais. Mas levava também uma pitada de sensualidade. 


Fonte: Época
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