EFEMÉRIDES DO CALANGO

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16 novembro, 2015

Lira Itabirana, de Carlos Drummond de Andrade

I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa.
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Drummond escreveu isto em 1984!
Vi no Facebook

11 junho, 2015

Destino, curta idealizado por Salvador Dali e Walt Disney (legendado)

Escondido nos Arquivos dos Estúdios Disney, estava um projeto de um curta com a arte de Walter Elias Disney com Salvador Dali. Em meados dos anos 40, Disney esquematizou com Dali para promoverem um curta baseado em suas artes surrealistas. Porém Disney não tinha dinheiro o suficiente para continuar, então só foram produzidos 17 segundos do curta original.

Agora, seu sobrinho, Roy Edward Disney, encontrou esse projeto esquecido e o finalizou com a equipe de animação dos Estúdios Disney.

07 outubro, 2011

[para pensar] Augusto dos Anjos (1884-1914) já antevia o Batman, nascido apenas em 1939


O MORCEGO  
(Augusto dos Anjos)

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer.  Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!


16 junho, 2009

[poesia] Pra quê marketing?

poesia

Vi no Poetriz!

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13 março, 2008

[poema] Te levo pra cama

Quando eu te encontrar, possuir-te-ei...
Sem pedir licença; levar-te-ei até à cama...
Tocar-te-ei em todo o teu corpo e te possuirei...
Vou te deixar com uma enorme sensação de cansaço, e entrega total...
Lentamente vou te fazer sentir arrepios, fazer-te suar profundamente.
Deixar-te-ei ofegante, tirar-te-ei o ar... e a tua cabeça pulsará.
Da cama não conseguirás sair!
E quando eu terminar, irei embora sem me despedir, com a certeza de que voltarei!
Assinado: Dengue!

29 janeiro, 2008

[literatura] Dos filhos

E uma mulher que carregava o filho nos braços disse:
“Fala-nos dos filhos.”

E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.
Gibran Khalil Gibran

12 dezembro, 2007

[poesia] Ascenso Ferreira

Filosofia

Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

07 novembro, 2007

[humor] Metade da laranja...

Se você ainda não encontrou
a sua metade da laranja
Não desanime...

Encontre sua metade do limão,
adicione açúcar, pinga e gelo
E seja Feliz!!!
Ctrl+C, Ctrl+V: De bobeira na Net

18 agosto, 2007

[homenagem] Carlos Drummond de Andrade faleceu há 20 anos

Sei que o dia da homenagem foi ontem (17/08), mas não tive como postar. Então, lá vão duas poesias bem diferentes para mostrar que o poeta tinha extremos em sua obra.

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A puta

Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
E labaredas torram a língua
De quem disser: Eu quero
A puta
Quero a puta quero a puta.

Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.

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Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar . . . as janelas se olham.

Eta vida besta, meu Deus.

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Lembrando, ainda, que apesar de ser mais conhecido como poeta, foi um cronista excepcional e tem vários licros de prosa que valem a pena ser lidos sempre.

23 junho, 2007

[política] Um moribundo chamado Renan

Vejam estas palavras de um jornalista de Brasília (Ricardo Callado, para o ComuniWEB):
O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), tornou-se um moribundo insepulcro em decomposição política, permanente e definitiva. O senador perdeu o quando e o por quê, a percepção do tempo e de qualquer causa.

Renan deve estar deveras confuso, estranho, complexo, sentindo os vermes da política corroerem-lhe as entranhas e as carnes. “Esse processo é um processo esquizofrênico. Nós estamos vivendo uma crise com ataques diários, absurdos, que não têm nada a ver com o decoro”, disse Renan. Esquizofrenia tem a ver com doença mental. Na definição do Dicionário Aurélio: “perda de contato com a realidade”. Realidade que piorou muito com essa crise.

Renan Calheiros é hoje um cadáver adiado na presidência do Senado, e seus aliados perderam o eixo. Um cadáver exposto que permanece insepulcro, tão sujeito às instabilidades e questionamentos – seriam os vermes ou as bicadas dos “pássaros”.
Pura poesia, não? Deve ser um discípulo de Augusto dos Anjos.

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