EFEMÉRIDES DO CALANGO

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16 novembro, 2015

Lira Itabirana, de Carlos Drummond de Andrade

I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa.
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Drummond escreveu isto em 1984!
Vi no Facebook

11 outubro, 2011

[para entender] Interpretação de texto é influenciada pelo ambiente

Na sala de aula, com seus alunos, o professor estava analisando aquele famoso poema de Carlos Drummond de Andrade: 


No meio do caminho tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
E eu nunca me esquecerei 
Que no meio do caminho tinha uma pedra 
Tinha uma pedra no meio do caminho.


Depois de ter explicado, exaustivamente, que ao analisar um poema podemos detectar as características da personalidade do autor, implícitas no texto, o professor pergunta: 

- Joãozinho, qual característica da personalidade de Carlos Drummond de Andrade que você pode perceber neste poema? 
- Professor, das duas uma: ou ele era traficante ou era usuário!!!

18 agosto, 2007

[homenagem] Carlos Drummond de Andrade faleceu há 20 anos

Sei que o dia da homenagem foi ontem (17/08), mas não tive como postar. Então, lá vão duas poesias bem diferentes para mostrar que o poeta tinha extremos em sua obra.

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A puta

Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
E labaredas torram a língua
De quem disser: Eu quero
A puta
Quero a puta quero a puta.

Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.

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Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar . . . as janelas se olham.

Eta vida besta, meu Deus.

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Lembrando, ainda, que apesar de ser mais conhecido como poeta, foi um cronista excepcional e tem vários licros de prosa que valem a pena ser lidos sempre.
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