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14 abril, 2016

[OPINIÃO] Superman - O homem de aço (Coleção Eaglemoss)

Esse encadernado traz a origem do Superman contada pelo canadense John Byrne após a "Crise nas infinitas terras". Trata-se de uma história em seis partes publicada em 1986. Li essa HQ ainda no final da década de 1980, ainda nos meus primeiros anos como leitor de quadrinhos. Trouxe inovações muito bem vindas para a época, como a indumentária e a forma de gestação dos kriptonianos (notadamente inspiradores para o filme Man of Steel), o novo Lex Luthor multibilionário e naõ um mero cientista louco, a forma como Clark descobre suas origens e todo o conhecimento sobre Kripton, o 'novo' primeiro encontro com Batman ('um fora-da-lei que precisava ser detido' e que lembra um pouco a antipatia declarada de Clark pelo morcego em Batman v Superman), até efemérides como justificativas para sua forma de barbear, o que aconteceu com Lana Lang (uma vez que este Super não foi Superboy), um possível Bizarro (embora a ideia não se encerre ali, possibilitando a manutenção do personagem posteriormente).
Algo importante a se dizer sobre essa história é o quão elegante e dedicada á memória dos personagens ela é. Era uma nova origem, com novos primeiros encontros, mas sem agredir a mitologia pré-crise. Há, ainda, algo de pueril na primeira história, quando Clark descobre sua origem a partir de um 'foguete experimental' e resolve que a melhor atitude é se tornar um super-herói, ao que seus pais prontamente concordam (sic!). À exceção dessa pequena digressão (que nos remete às singelas soluções encontradas na Era de Prata), a história com o um todo é deliciosa de se ler. O Superman dessa HQ é aquele herói que inspira. O Batman que ele encontra no capítulo 3 é o detetive clássico e estrategista extremo. A solução para evitar que Superman o ataque, ao mesmo tempo que o faz ajudá-lo, é simplesmente fantástica. "Caso o Superman o atacasse fisicamente, uma bomba mataria um inocente". Cruel, não? Com certeza, não! Nota? 10, claro!
Ao final do volume, temos acesso à história em que Superman debutou, da icônica Action Comics #1. Confesso que nunca tinha lido. Me pareceu que se tratava de um projeto em tiras que precisou ser juntado rapidamente no formato comicbook para compor a revista. Parece que pegaram duas sequências de tiras e colocaram-nas uma após a outra, sem muita preocupação em ligá-las. Esse Superman de 1938 não é nada inspirador. É quase desumano em suas ações que, embora resultem boas, carecem de um sentimento maior de empatia com a humanidade. Essa, inclusive, é uma característica que se destaca no Superman de John Byrne: sua elevada empatia.
Uma pequena curiosidade: sempre imaginei aquelas pessoas correndo do Superman levantando um carro como transeuntes quaisquer. Na verdade são os bandidos que estavam sendo perseguidos.

Considero esse encadernado imperdível para qualquer colecionador, não apenas pelo valor histórico dessas duas origens, como pela preciosidade que é "O homem de aço", de 1986.
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