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14 setembro, 2016

[OPINIÃO] Os Defensores #1 - Coleção Histórica Marvel

Se tinha um grupo de heróis que eu adorava na década de 1980 era "Os Defensores". Era um grupo incomum, pois não admitiam ser um grupo formal (embora tivessem um nome!), viviam brigando entre si (o Hulk particularmente vivia mudando de opinião sobre quem era "amigo do Hulk" ou quem queria "mandar no Hulk").
Foram lançados no EUA em dezembro de 1971, como um projeto do Redator da Marvel à época, Roy Thomas, para dar continuidade as histórias de personagens importantes do Universo Marvel (Doutor Estranho e Surfista Prateado) que haviam perdido suas revistas próprias. Procurando garantir as vendas juntou-os a Namor, um personagem famoso e ao Incrível Hulk, um dos personagens Marvel de maior sucesso na época. Inicialmente publicados na revista Marvel Feature, ganharam revista própria já em agosto/1972. Esse volume sobre o qual falo hoje reúne as 8 primeiras The Defenders.
Uma coisa que sinto falta na Coleção Histórica Marvel é justamente a falta desta contextualização que fiz acima. Tá! Eu sei que os títulos desta coleção são direcionados aos fãs inveterados, que já conhecem os personagens e querem resgatar sua história. Mas custa gastar uma página com um breve histórico?
Dito isto, devo dizer que ler este cartonado me levou de volta às páginas de Superaventuras Marvel, em plena década de 1980. Histórias escritas por Steve Englehart e desenhadas por Sal Buscema, são histórias simples, objetivas, mas empolgantes, aventurescas mesmo. São histórias que encerram, inclusive, importantes lições sobre amizade, a importância do pedir perdão quando se está errado, consequências de seus atos. Numa das histórias, ao pretender salvar uma mulher que já havia escolhido seu próprio destino, o Dr. Estranho acaba por deixá-la em uma terrível condição. Ou seja, o estigma do Homem-Aranha paira nestas histórias: "Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades".
Outra coisa interessante é perceber como eram caracterizados os personagens naquele início da década de 1970, com valores bem distintos do que vemos hoje. O Gavião Arqueiro (sim! ele aparece também) está mais impertinente e orgulhoso do que nunca. é aquele cara "que se tem certeza" que é melhor do que qualquer um. A Valquíria, numa nova origem, é basicamente uma feminista bem infame. Embora tente se conter em suas reações aos homens, sua natureza básica é ser a defensora das mulheres contra a opressão masculina (sic!). 
O Surfista é o mesmo depressivo de sempre (ele ainda estava preso à terra pela barreira de Galactus). 
Namor está numa fase incrivelmente gentil. Poucas vezes se mostra grosseiro. 
O Hulk é o mais limitado que já se viu, ainda com aquele papo de ficar longe dos homenzinhos, com memória curta e sempre tentando provar que "ninguém vence o Hulk". Mas tem seus momentos divertidos.

Agora, talvez o que mais choque leitores neófitos é o Dr. Estranho. Ele é um dos que mais trata o Hulk apenas como uma fonte de força bruta, sem dar importância aos sentimentos do gigante esmeralda. Para quem teve que aprender humildade para se tornar o Mago Supremo, No trato com o Hulk, ele tem rompantes de Dr. Stephen Strange, neuro-cirurgião brilhante.

Nota geral do volume: 10,0 (eu não tenho como não gostar!)
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